Abismo

À beira, seduzido por seu porte,
você que me propõe ou eu sozinho
que me ofereço? Tudo aí cabe, mesmo
o que não haveria de ser feito.
Nenhum sinal, no entanto, sequer um
eco, um lampejo… Talvez haja luz,
mas devorada pela inexistência
de onde se encostar? O que te define,
afinal, a distância do chão?
E se eu ficar aqui te olhando, te
olhando pelo mesmo tempo que uma
queda sem colisão levaria para
me consumir? Você dá de ombros, bem
sei, porque sempre esteve sob meus pés.