Fé em vão II
Fé em vão II Corro atrás de um tropeço pra ponta dos meus pés.Está no vão que esqueçoou no que não dei fé?
Fé em vão II Corro atrás de um tropeço pra ponta dos meus pés.Está no vão que esqueçoou no que não dei fé?
O discreto charme da fantasmagoria Enquanto lia na sala de espera, ouvi sem querer o que uma mulher conversava atrás de mim. Falava de um pai que saiu de moto às pressas carregando sua filha, uma criança de colo com uma febre que lhe queimava o corpo. A mãe ficou em casa, estava doente também.
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Fé em vão I Clamo por um começoem que não haja fé.Em vão, ainda anseioo piso sob meus pés.
Até a porta Estou deitado no quarto,a porta está do outro lado.Contemplo-a, quieta, de cá,não quero me levantar. Não sei se trancada ou sófechada… Enquanto não foraté lá eu ainda possosair, mas me cabe imporo se levantar a mim? Talvez nem essa perguntade minha alçada resulta.Contemplo-a, quieto, daqui.
Piscina Já há tempos sem cores,o mato tomou contados escorregadores, onde à beira da estradaclamam expectativashá muito desusadas. Me atento ao som dos carros— qual água ainda escorrendopelas curvas de plástico.
No escuro Enquanto tinha luz lá fora, ainda dava pra ler, depois só me restava ficar parado, olhando pro escuro. Mas não gostava de ficar com os meus pensamentos, que nunca saem do lugar. Se pensar fosse bom, a vida se bastaria. Pra que sair de casa, se envolver com pessoas, fatos, pra que ler
Desdita II A partir de hoje tomariamais cuidado, e refletiu sobrea quieta e cínica apatiado possível, do antes que fosse. Convicto deu um passo adiante,mas se deparou com o mesmoespelho. Fodido como antes,só a sorte teria peso. Mais cuidado! e refletiu sobresó a sorte. Teria pesoa quieta e cínica apatiado possível, do antes que fosse,
Desdita I Vejo-a do outro lado da rua,eficaz, mas rumo a outra porta.O horizonte brilha, me inunda,pois minha chance inda vigora. Apenas um conforto efêmero,todavia. É fácil não sero que a custo pode ocorrer— um mero artifício que invento. E o que não está do outro lado,mas caminhado para cá?Eu daqui a pouco. Num passoapertado,
Aonde você Chegarei aonde você me vê.Não vou tomar cuidado, não vouandar na ponta dos pés. Pra quê?Você não vai se assustar comigo. Como que pra quebrar o silêncio,dirá: está aqui já faz tempo?Sim, mas cheguei depois de você.
Em vão Livros na estante, copos no armário, cadeiras debaixo da mesa.Uma performance da disposição.Não cair, nosso equilíbrio é vulgar. Mas com um encanto insuperável, o chão seduz de arranha-céus a aviões e cruzeiros — é por causa do chão no fundo das águas que nos afogamos. Por ondevão na superfície acham que não se