bruno

No berço a sepultura

No berço a sepultura Dentro do carrinhorepousa o bebêcheio de carinho. A mãe passa ao lado(fingindo não ver)de trapos largados. No meio da calçada,um velho mendigofez sua morada. “Quando foi o diaque a algo desse tipoperdeu-se a empatia?” Sentiu uma culpamaior, afinalquem a vida insufla lança a criaturanum destino semsaída de agruras.

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convicção

convicção inapto confronto rugosocolapsos estragos fracassosafora aliso medidasdesfaço disfarço repassodissensos fulano aponta sicrano encontra beltrano afronta embalo lápides encenoperfeita lábia engodoobsceno?

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Pra quê?

Pra quê? … — Uma amiga minha que mora fora tem um monte de plantas na sacada. Até que dá um espaço interessante, principalmente quando estão grandes e florindo. Alivia um pouco a sensação de confinamento do apartamento, sabe? Mas eu não teria paciência. Imagina ter que ficar aguando aquilo, e podando e não sei

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Até a porta

Até a porta Estou deitado no quarto,a porta está do outro lado.Contemplo-a, quieta, de cá,não quero me levantar. Não sei se trancada ou sófechada… Enquanto não foraté lá eu ainda possosair, mas me cabe imporo se levantar a mim? Talvez nem essa perguntade minha alçada resulta.Contemplo-a, quieto, daqui.

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Piscina

Piscina Já há tempos sem cores,o mato tomou contados escorregadores, onde à beira da estradaclamam expectativashá muito desusadas. Me atento ao som dos carros— qual água ainda escorrendopelas curvas de plástico.

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